a região

No início, o Rio Pinheiros era Rio Jurubatuba, ou Rio Grande, que vinha com as águas direto da Serra do Mar em direção ao interior. O Rio Grande e o Guarapiranga se juntavam e eram alimentados por diversos córregos ao longo de um percurso sinuoso no planalto até, finalmente, todos se juntarem, chegando na foz, o Rio Tietê, como mostra o mapa abaixo, elaborado em 1930.

Ao longo dos anos, a cidade foi sendo expandida em seu entorno e, com isso, necessitava de mais energia. Quem detinha a concessão dos serviços de bondes e iluminação pública era a Light. A esta companhia de origem canadense foi concedida a autorização para a inversão do curso do Rio Pinheiros, para o sentido Tietê-litoral. O objetivo era gerar energia elétrica na Usina Henry Borden, em Cubatão, a partir da queda da água por dutos instalados na Serra do Mar, segundo informações da Associação Águas Claras do Rio Pinheiros.

Ocupação da região ganhou força em meados da década de 1930

Nesse processo, a mesma empresa que fez a canalização e retificação do leito do rio no trecho do planalto recebeu a contrapartida de lotear as áreas adjacentes ao rio, e para isso firmou parceria com a Cia. City. A ocupação dessa área ganhou força em meados dos anos 1930, com a consolidação dos loteamentos industriais da Vila Leopoldina e de residências no bairro do Alto da Lapa pela própria Cia. City, desenhado ainda na década de 1920. Com a construção do ramal ferroviário, no início do século XX, o governo municipal incentivou a ocupação do seu entorno por bairros industriais, como se pode notar na Vila Leopoldina e nas regiões da Mooca e da Água Branca.

Desse modo, é possível identificar no tecido constituído por essas ocupações que a primeira forma de construção residencial que acompanhou a urbanização industrial foi das Vilas Operárias. Empreendidas muitas vezes pelos proprietários industriais ou pelos próprios trabalhadores, estas Vilas Operárias foram constituindo lotes exíguos com construções lindeiras ao viário, definindo a calha pública e frequentemente deixando os fundos de lotes vazios. Estas características estão nos primeiros mapas da Vila Leopoldina.

O segundo movimento de desenvolvimento urbano importante na região foi dos loteamentos horizontais de classe A e B empreendidos pela Cia. City, primeiro na região da Lapa, depois no Alto de Pinheiros ocupados entre as décadas de 1930 a 1970, como é o caso do City Boaçava.

A transferência da CEAGESP para a Vila Leopoldina, em 1969, acelerou a ocupação residencial da região, antes ligada apenas à moradia operária das indústrias instaladas junto à ferrovia. Os loteamentos da Cia. City no Alto da Lapa e no Boaçava se consolidaram nos primeiros anos da década de 70, fortalecendo a vocação de novo bairro residencial de classe média alta em baixa densidade, inaugurando outras relações de ocupação no território num movimento de diversificação de usos e classes sociais.

A oferta de empregos formais e informais despertada pelo polo de distribuição de alimentos, a crescente migração para a cidade fomentada pelo momento histórico do milagre econômico nos anos 70 e as limitações do governo para prover moradia diante do aumento populacional fizeram crescer, também na região, os agrupamentos precários. No caso da Vila Leopoldina, as favelas se desenvolveram em interstícios das sobras dos lotes industriais, sobre trilhos, ruas de pouco movimento, ruas sem saída ou mesmo sobre as calçadas.